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Christoph Schlingensief

A INSTALAÇÃO OPERÍSTICA O TREM FANTASMA

O SESC Traz Pela Primeira vez à cidade de São Paulo, dentro da Mostra SESC de artes Circulações, a instalação operÍstica o Trem Fantasma, do diretor Alemão Christoph Schlingensief, de 22 de Novembro a 02 de Dezembro/2007


A partir de 13 de novembro o SESC SÃO PAULO realiza a MOSTRA SESC DE ARTES, com o tema CIRCULAÇÕES, que este ano visa oferecer ao público a oportunidade de vivenciar experiências artísticas a partir de suas concepções e desenvolvimentos e não apenas de seu resultado final. O eixo curatorial da temporada se norteia pela exibição de obras selecionadas em função das particularidades de seus processos de criação e o diálogo que esses trabalhos podem estabelecer com os artistas e o público no espaço urbano.

Este projeto, baseado no universo operístico tradicional e na visão particular e crítica do autor da idéia wagneriana da ópera como “obra de arte total”, Christoph Schlingensief, ocupará, durante 19 dias, 1200 m2 da futura unidade SESC Belém com esta obra, que mais do que uma crítica ou a encenação de uma ópera, está sendo construída não como um espetáculo a ser assistido, mas como algo a ser vivido. Suas obras sempre desmontam os mecanismos da cultura erudita, mixando elementos da cultura considerada de elite a elementos descartáveis da cultura popular no seu mais amplo sentido. Palcos giratórios, projeções, clássicos teatros, coquetéis vips, bares de esquina, samba, canto lírico, karaokê e música eletrônica, camarotes e camarins, divas e meros figurantes, artistas e pessoas comuns vão compondo algo interminável e feérico nos diversos espaços dessa instalação. Referências conhecidas como fundamentais no mundo da arte aqui se misturam com o mesmo valor, com a profusão de elementos descartáveis da cultura de consumo dos dias atuais. A entrada neste “universo paralelo” acontece por meio de um “Trem Fantasma”, no qual tudo e todos que ali embarcam não são mais espectadores e passageiros, mas protagonistas e fantasmas.

Christoph Schlingensief, considerado na Europa um dos mais radicais e reconhecidos artistas tanto no teatro, quanto na ópera, cinema e artes plásticas, nasceu em 1960 em Oberhausen, na Alemanha. Formulou pela primeira vez sua concepção cinematográfica na TRILOGIA PARA CRÍTICA DE FILMES (1983/84). O subtítulo dessa obra, FILME COMO NEUROSE, marca até hoje sua criação cinematográfica e tem como base seu primeiro longa-metragem TUNGUSKA – DIE KISTEN SIND DA (TUNGUSKA – AS CAIXAS CHEGARAM), 1984. A estréia como diretor de teatro se dá em 1983 com 1OO JAHRE CDU - SPIEL OHNE GRENZEN (100 ANOS PARTIDO DEMOCRATA-CRISTÃO – JOGO SEM FRONTEIRAS) na Volksbühne am Rosa-Luxemburg Platz, em Berlim, sob a intendência de Frank Castorf. Desde então ele vem realizando projetos, performances e exposições em vários paises da Europa, Estados Unidos, África e Ásia. Neste ano de 2007, no Teatro Amazonas em Manaus, Christoph Schlingensief montou sua versão do “Navio Fantasma, de Richard Wagner”.



Diário da Manhã, Cultura, Goiânia, 12/12/2007 - quarta-feira

Mostra do Sesc quer tirar espectador da inércia criativa

Na era da tão apregoada 'interatividade', definir as fronteiras entre até onde o espectador é alvo passivo de uma obra de arte e até onde ele atua como agente criativo se torna tarefa cada vez mais árdua. De olho na discussão dos limites entre consumidor e criador de arte, o Sesc realiza a partir de hoje sua Mostra Sesc de Artes 2007, nas suas unidades capital e do interior.


Não por acaso, a Mostra tem neste ano o tema Circulações. Mais que literalmente fazer as obras, peças, shows, performances e afins circularem, a Mostra pretende tirar o público da confortável posição de mero observador para colocá-lo no centro do processo criativo. Um exemplo? A apresentação de Trem Fantasma, de Christoph Schlingensief. O projeto inédito é inspirado na ópera de Richard Wagner e utiliza, em todas as cidades por onde passa, elementos do local que a recebe. A apresentação oficial ocorre no Sesc Belenzinho de 22 a 25, e de 27 de novembro a 2 de dezembro. No entanto, antes disso, mais que 'chegar quando o show estiver já pronto', o público da Mostra Sesc vai poder acompanhar todo o processo de montagem do espetáculo, que vai ser transmitido ao vivo no site www.sescsp.org.br/circulacoes a partir de amanhã.

Tirar o público da inércia em que a produção de arte em massa o tem colocado não é tarefa fácil. Mas o resultado compensa. "Queremos tirar as pessoas da frente da platéia e levar para os bastidores. Que elas vejam o processo de funcionamento e de criação. Se não de todas as obras e shows, pelo menos de uma grande parte, fazendo com que haja um desnudamento desse processo na frente do público. Que saibam como conceber, fazer, montar é tão importante quanto exibir um trabalho artístico", conta Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo. "Há uma dupla intenção. Além do lado conceitual, Circulações significa espalhamento territorial, já que a Mostra chega a 80 cidades do interior, que nunca receberiam certos espetáculos e shows se não houvesse a edição anual da Mostra", completa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo



Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

Atrás do Trem Fantasma só não vai quem já morreu

Revista Bacante, Kulturzeitschrift Bacante, Sao Paulo

Maurício Alcântara





No espaço antes ocupado pela precisão bonitinha do Théâtre du Soleil, agora pode ser visto o contrário: a bagunça operística concebida pelo malucão Christoph Schlingensief sobre a obra de Richard Wagner. Fica em cartaz até domingo lá no SESC Belenzinho, e funciona em esquema de visitação: você fica quanto tempo quiser, faz o trajeto quantas vezes quiser. Em cena, dezenas de atores e cantores líricos atuando, cantando, dançando e berrando no mais absoluto caos cênico: cenários giratórios, projeções, vídeos, pichações em referência a diversas óperas e até mesmo ? acreditem ? um trilho de trem fantasma. O percurso é relâmpago, mas vale a pena. Na trilha, Wagner se mistura com um sambão - "atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu, ôooo..." - nos intervalos, com direito a passista de escola de samba e tudo mais.

Com tamanha bagunça, é impossível tirar uma conclusão que não seja absolutamente pessoal. Para aquela turma que está sedenta pela expressão da moda, o pós-dramático, aquilo é um prato cheio. Difícil de se classificar como teatro, ópera, exposição, show ou o que quer que seja. Para mim, fica mais evidente a deliciosa descontrução (pra não dizer explosão) de uma arte tradicionalmente formal e careta: o assumidamente inacabado (e inacabável) dá o tom e é o que diverte um público que adora a novidade. O mais legal é que esse público não é composto majoritariamente pela classe artística, que quando é maioria, muitas vezes acaba deixando as coisas bem sem sal com suas carinhas blasé. Uma amiga levou até a avó. E a véia gostou.